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Região - Assessoria de Comunicação Social / Biblioteca
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DIA
DO TRABALHO
Cresce o emprego formal
O Governo federal comemora os bons números do emprego no País no dia dedicado ao trabalhador. Exageros a parte, o Brasil segue o ritmo que atingiu toda a América Latina. Dados da OIT, no entanto, apontam que o problema do emprego no mundo está concentrado na precarização das relações de trabalho, na elevação do desemprego juvenil e na insuficiente geração de oportunidades
Luiz Henrique Campos – da Redação
Apesar de ainda não ter atingido a meta de criação de 10 milhões de empregos formais durante o seu governo, o presidente Lula afirmou na semana passada que o trabalhador brasileiro poderia comemorar hoje o melhor 1º de maio dos últimos 20 anos. Exageros a parte, o Ministério do Trabalho apresentou este mês os números da geração de empregos em março, que apontam a manutenção da trajetória de crescimento de vagas laborais no País, com a geração de 76.455 postos de trabalho.
Na avaliação de especialistas, caso seja mantido esse ritmo de crescimento até o final do ano, o governo deve fechar 2006 próximo a alcançar 50% da meta. Ou seja, deve conseguir chegar próximo a 5 milhões de empregos formais.
Embora a geração de empregos em março tenha sido inferior a média registrada no mesmo período do ano passado (102.965 postos), os resultados mostram o incremento do número de vagas, com 339.709 assalariados com carteira assinada no primeiro trimestre de 2006, equivalendo a 1,30% de aumento se comparado a idêntico período de 2005.
Outro dado favorável ao Governo federal é a proximidade do recorde de geração de empregos batido no primeiro trimestre de 2004, quando foram abertos 347.312 postos de trabalho. No acumulado dos últimos 12 meses os números do Ministério do Trabalho indicam a criação de 1.301.462 vagas no mercado de trabalho formal no Brasil. O Governo federal pode ainda se vangloriar de ter concedido um aumento real de 12% no salário mínimo em 2006 e ter reajustado em 5% o valor da aposentadoria dos inativos do serviço público. Com o índice de 12%, a recuperação do poder aquisitivo do trabalhador que ganha salário mínimo atingiu 24% nos três anos da atual gestão. Mas o feito do governo brasileiro na área do trabalho não difere do quadro da América Latina, que nos últimos anos tem registrado sinais de recuperação. Segundo dados divulgados no final de 2005 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a média do salário mínimo na região cresceu 5% em termos reais naquele ano.
Para o diretor-geral da OIT, Juan Somovia, porém, o aumento do poder aquisitivo por si só, não é motivo de comemoração. O grande problema que o mundo estaria enfrentado é a questão da precarização do trabalho. "De cada 10 novos empregos, 7 são precários, pois são criados na economia informal, e oferecem proteção social baixa", destacou durante participação na IV Cúpula das Américas, realizada em novembro do ano passado, em Mar del Plata, na Argentina.
Somovia reconhece que nos últimos 10 anos foram gerados muitos postos de trabalho, mas esse fenômeno não foi capaz de diminuir o desemprego no mundo, que em idêntico período, teve o índice aumentado em 26%. O dirigente da OIT alerta ainda para problema mais grave, que é a questão do subemprego e a dificuldade de acesso das mulheres ao mercado formal com empregos dignos.
Segundo estimativas da OIT, esse quadro tende a se agravar diante dos 86 milhões de jovens que estão pressionando por ocupação formal atualmente no mundo. Isso representaria 45% dos desempregados do planeta. Além disso, o desemprego juvenil saltou na última década de 11,7% para 13,8%.
Estudos da OIT estimam que em média, os jovens tem três vezes mais possibilidades de ficarem desempregados do que os adultos. O receio de que o quadro venha a se agravar tem como pressuposto dados da OIT apontando que o crescimento econômico na década não se traduziu na criação de empregos. Em 2004, por exemplo, a taxa de crescimento médio da economia mundial foi de 5,1%. Em contrapartida, a geração de emprego apresentou um pífio crescimento de 1,8%.
Evolução na Era Moderna
Revolução industrial
A revolução industrial teve início no século XVII na Inglaterra com a mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o artesanato era a forma de produção mais comum, na Idade Moderna tudo mudou. A burguesia industria sedenta por mais lucros e menor custo de produção, buscou alternativas para melhorar a produção de mercadorias e surgiram as fábricas.
Dia do Trabalho
O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889 em congresso de socialistas na França. A data 1º de Maio surgiu em homenagem à greve geral de trabalhadores ocorrida três anos antes em Chicago, então o principal centro industrial dos EUA à época. A manifestação dos operários era contra a exacerbação da exploração que gerava jornadas de até 14 horas de trabalho. O protesto terminou com mortes nos confrontos entre policiais e trabalhadores.
II Guerra Mundial
Após a II Guerra Mundial teve início o mais longo período de crescimento contínuo do capitalismo. De 1945 a até o final da década de 70, o valor da produção econômica quadruplicou e as exportações quase sextuplicaram para tentar reerguer países atingidos pelo conflito bélico mundial. Uma das causas da expansão econômica, principalmente dos EUA, foi o surgimento de grupos mundiais que passaram a ser conhecidos como as multinacionais. Nesse período, o fordismo atingiu seu apogeu. Criado em 1920, esse modelo se caracterizada pela produção em série através das linhas de montagem
Década de 70
A partir do final da década de 70 foram intensas as modificações socioeconômicas surgidas com o processe de internacionalização da economia mundial. O salto qualitativo foi permitido com as novas tecnologias da informação. A revolução tecnológica provocou profunda transformação no sistema financeiro mundial, que passou a estar ligado em tempo real com qualquer parte do planeta. Essas modificações resultaram também em alterações na vida do cidadão comum, alterando seus hábitos, comportamentos e sua relação de trabalho.
Trabalhador na Europa enfrenta dilema
Sociólogo e especialista em relações do trabalho e desenvolvimento institucional, o professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), José Pastore, costuma dizer que a Europa está se transformando em uma imensa casa de repouso. De um lado, um grande contingente de idosos desempregados. Do outro, a massa de trabalhadores com curtíssimas jornadas de trabalho.
Com crescimento médio de 1,7% ao ano, a economia dos maiores países que compõem a União Européia está sendo corroída pela competitividade mundial, aponta Pastore. Em países menos desenvolvidos desse bloco, como a República Tcheca, por exemplo, operários em montadoras de automóveis chegam a ganhar US$ 6,20 por hora. Na Alemanha esse valor sobe para US$ 40,00.
O resultado tem gerado a queda nos orçamentos públicos destinados aos aposentados nos países mais desenvolvidos da Europa, com a redução de pensões e o aumento do desemprego. Isso sem falar na diminuição dos salários até mesmo para quem tem boa qualificação. Prova dessa nova conjuntura, cita José Pastore, é que na França a desocupação virou meio de vida e os desempregados vem realizando protestos para conseguir subir o valor do seguro-desemprego.
Reflexo desse quadro de precarização do trabalho pode ser sentido com o fenômeno verificado na Índia. Nos últimos 10 anos, segundo Pastore, o país se tornou um dos maiores pólos de atração de mão-de-obra terceirizada. O perfil exigido é basicamente o profissional qualificado e com domínio da língua inglesa.
Mas esse processo verificado na Índia tem provocado efeitos que ninguém sabe onde vai dar. Se no começo a onda de terceirização buscou profissionais de nível médio com bons salários, agora está atraindo cada vez mais o que possui perfil de alta qualificação, sendo que em sentido inverso, oferece baixa remuneração. Pastore cita que advogados americanos cobram em média US$ 300,00 por hora para prestar seus serviços na Índia. Enquanto profissionais locais vendem sua força de trabalho por US$ 70,00.
“Brasilização” das relações
legais
As transformações no trabalho surgidas com a era da tecnologia e da informação vão tirar emprego da indústria, mas se abrirão vagas no setor de serviços. Esse tem sido o discurso mais comum para tentar traduzir a diminuição do emprego no setor fabril. Para o psicólogo Cássio Adriano, pesquisador do Núcleo de Estudos do Trabalho (Nutra), do Departamento de Psicologia da UFC, porém, esse conceito não é o mais correto. Na sua avaliação, a crescente expansão desse modelo de relação laboral se dá sob um discurso economicamente coerente, mas socialmente falacioso. Cássio entende que a crise estrutural do trabalho que se instalou a partir da década de 70, tem na precariedade um lugar de destaque no delineamento das discussões sobre o tema trabalho.
Cássio concorda que a indústria tradicional vem perdendo postos de trabalho, mas o seu modelo está se apropriando do setor de serviço. Um exemplo seria o que muitos chamam de indústria do turismo, conhecida como indústria sem chaminés. Para o pesquisador, o modelo industrial se baseia na apropriação da relação de trabalho. No caso do turismo isso se encaixaria perfeitamente, destaca, quando grandes grupos do ramo controlam da passagem aos passeios.
Para
ele, o mundo ainda vive o modelo de trabalho industrializado, mas sob o
discurso das oportunidades através de carreiras na área de serviço.
Carreiras, segundo ele, que se apresentam de forma precarizada e cada vez mais
com a perda de direitos e garantias formais. O pesquisador diz ainda que o mais
curioso é que todo esse processo de precarização do trabalho
recebe por parte de alguns teóricos sociais na
Europa a denominação de brasilização ou feminilização.
O que implica dizer, entende ele, que a ameaça naquele continente é
realidade viva e presente há algum tempo no Brasil.