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PRT-7a.
Região - Assessoria de Comunicação Social / Biblioteca
Jeferson L.P. Coelho
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Candidatos que realizaram a prova do concurso único do Programa de Saúde da Família (PSF) lotaram, ontem à tarde, o escritório da Fundação Conesul de Desenvolvimento, entidade responsável pela organização e elaboração das provas, ocorridas no último domingo.
Eles querem a anulação de questões que consideram mal formuladas e dúbias. Somente na última quinta-feira e ontem, mais de 500 candidatos entregaram, na sede da entidade, recursos questionando enunciados das provas.
Localizado no 13º andar do Shopping Del Paseo, na Aldeota, o escritório da Fundação Conesul foi insuficiente para receber a quantidade de candidatos que desejavam reclamar de algumas questões do concurso, que eles consideram confusas e mal elaboradas.
Os candidatos enfrentaram filas e alguns tiveram de preencher o documento sentados no chão. Aqueles que ainda não recorreram têm somente até a próxima terça-feira para entregar o documento na sede da entidade, justificando a solicitação de anulação de cada questão que considerar incorreta.
O resultado oficial do concurso deverá ser publicado no Diário Oficial da União, na próxima segunda ou terça-feira, e só então a Comissão de Coordenação Central do Concurso, aqui no Ceará, decidirá qual a melhor solução para o problema.
O Diário do Nordeste tenta, desde a última quarta-feira, contato com a Conesul nos seus escritórios em Porto Alegre, Caxias do Sul e São Paulo, sem sucesso.
Na sede em Fortaleza, um representante da entidade, Felipe Casseb, afirma que o grande número de recursos deve-se ao fato da maioria dos candidatos não ter atingido o perfil mínimo para ser aprovado. “Com a anulação de questões, a pontuação do candidato tende a subir”, diz.
Ele acredita que há uma intenção de resolver a situação com tranqüilidade. “Os recursos serão analisados”, conta. “Para ter informações mais precisas sobre o procedimento, é melhor procurar o escritório da entidade no Sul”, aconselhou Felipe Casseb.
ERROS — Os erros nos enunciados têm sido a tônica da prova do PSF realizada no último domingo. Na quinta-feira passada, cerca de 40 candidatos às vagas de enfermeiro reuniram-se com professores e um advogado na sede da Associação Brasileira de Enfermagem (Aben), para discutir novos problemas e como proceder com os recursos.
Segundo a candidata Thiciana Sousa de Oliveira, foram detectadas mais de 20 questões com erros de digitação, mal elaboradas ou com mais de duas respostas como opção correta para assinalar.
De acordo com o secretário executivo da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Galba Gomes, até terça-feira, a Comissão de Coordenação Central do Concurso vai entregar ao secretário Jurandi Frutuoso relatório sobre as questões polêmicas e alguns embargos técnicos.
Representantes da empresa estarão presentes para acompanhar o processo. Se o relatório, disse Galba, julgar procedente os recursos, a comissão irá acatar e decidir pela anulação dos quesitos ou das provas.
POLÊMICA
Diversos problemas detectados
“É um desrespeito ao candidato”. A afirmação sobre a prova objetiva do concurso único do Programa Saúde da Família (PSF) é recorrente entre os candidatos às vagas do PSF para enfermagem, medicina e odontologia.
Eles se sentem lesados por considerarem que as questões da prova foram mal elaboradas. Por isso, entram com recursos administrativos para anular até 23 questões da prova de enfermagem e 23 de odontologia, além de 30 da prova de medicina.
“Professores da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará analisaram a prova e detectaram problemas em diversas questões”, diz a enfermeira Betânia Linhares.
Entre as falhas da prova objetiva, estão: mais de duas opções corretas para a mesma questão ou nenhuma opção de resposta correta. “Muitas questões eram ambíguas. Tinham até três respostas corretas”, declara o dentista Shaloon Araújo.
Para solicitar a anulação das questões que o candidato considerar falhas, é preciso dar entrada em recurso, apresentando uma justificativa para cada questão que o candidato quiser anular.
Entidades como a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) estão disponibilizando requerimentos de recurso administrativo com as justificativas já prontas, baseadas em bibliografias específicas da área.
Os candidatos reclamam ainda que a prova, em algumas questões, não apresentava relevância para o trabalho que desenvolveriam como membros (enfermeiros, dentistas e médicos) das equipes do PSF.
“Muitas questões
da prova não têm importância para o exercício profissional
desenvolvido pelas equipes do PSF”, afirma uma dentista que não
quis ser identificada. “Posso dizer isso porque já trabalho como
dentista do PSF há um tempo”, acrescenta.