Assessoria de Comunicação Social / Biblioteca Jeferson L.P. Coelho

Caderno/Editorial: ECONOMIA...Data: 28/Set/2004
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SEM PREVISÃO
Greve dos bancários entra no 12º dia

Bancários e Febraban ainda não possuem previsão para final da greve. O TRT concedeu, na última sexta-feira, liminar exigindo 40% dos funcionários nas agências sob risco de multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento

Márcio Teles - da Redação

O Sindicato dos Bancários do Ceará fará, às 16 horas de hoje, uma caminhada partindo da Praça da Imprensa em direção ao Parque do Cocó, onde ocorre a assembléia da categoria. Segundo o presidente do sindicato, Vaumik Ribeiro, o objetivo é sensibilizar a sociedade para a falta de novas propostas dos bancos. ''A gente pede que os bancários levem pessoas da família para que eles também participem do movimento'', diz Vaumik. Hoje é o 12º dia de greve e ainda não há previsão de término da paralisação. A categoria pede aumento salarial de 25% e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de um salário mais R$ 1.200.
Na avaliação da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que concentra a negociação das empresas, a proposta de reajuste de 8,5% e PLR de 80% do salário mais R$ 705 ''foi construída nas mesas de negociações e é o limite até onde os bancos podem chegar''. A proposta inicial da Febraban era de 6%. Segundo informações da assessoria de imprensa da instituição. A Febraban informou ainda que não existe nenhuma anistia de multa e juros em decorrência de atraso no pagamento de boletos bancários. A orientação é que as pessoas procurem outras vias de atendimento ou tentem junto aos órgãos emissores da cobrança a prorrogação do prazo.

Ontem, foi o segundo dia útil após a decisão do presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Antônio Marques Cavalcante Filho, que implica multa de R$ 50 mil para o Sindicato dos Bancários caso não seja respeitado o contingente de 40% dos funcionários em serviço. O Banco do Brasil informou que nenhuma de suas 30 agências em Fortaleza funcionou normalmente. Apenas as salas de auto-atendimento. Esta também foi a saída para quem procurou a Caixa Econômica Federal. Muitas agências estavam paralisadas ontem. A liminar concedida por Marques também obriga os bancos a publicarem até hoje uma lista de postos de atendimento opcionais de atendimento, como casas lotéricas e farmácias.

Apesar da multa do TRT ser estipulada por cada dia de paralisação, a decisão de cobrança só será tomada quando for julgado o mérito da ação da Procuradoria Regional do Trabalho pedindo a ilegalidade da paralisação. Ainda não há data marcada para o julgamento. Ontem, o advogado e representantes do Sindicato dos Bancários estiveram reunidos com o presidente do TRT tentando a reversão da decisão, mas não houve mudança.

Segundo Vaumik, a decisão do Tribunal está sendo cumprida. ''O problema do obstáculo não está sendo colocado em nenhum banco. Mas se os bancos não conseguem funcionar com os 40% de funcionários, nós não somos responsáveis por isso. Nós não obrigando ninguém a parar. A deliberação de continuar a greve foi tomada em assembléia'', afirma. O presidente não soube dizer quantas agências continuavam paralisadas ontem. Outra assembléia foi realizada ontem à noite para votar a manutenção da greve.

Aposentados vão receber benefícios

O pagamento de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que inicia na próxima sexta-feira não deve ser afetado pela greve dos bancários. É o que informa a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Segundo a assessoria do órgão, a maioria dos aposentados já recebe o benefício utilizando o cartão nos caixas automáticos. ''O pagamento vai ser feito, mesmo porque quem faz o abastecimento dos caixas é o pessoal terceirizado e que não está em greve'', informou a assessoria.
O pagamento de pensões e aposentadorias ocorre nos cinco primeiros dias úteis de cada mês. No Banco do Brasil, a estimativa é que 450 mil benefícios sejam pagos. Segundo a assessoria do banco, o pagamento será efetuado normalmente nas 26 salas de auto atendimento das agências ou nos 164 postos externos de atendimento, como em shoppings. Nestes casos, o abastecimento está garantido porque a operação é feita por empresas terceirizadas, que estão funcionando normalmente. Na Caixa Econômica Federal, outro banco a fazer o pagamento dos benefícios, as salas de atendimento também terão o funcionamento garantido. (MT)

DESCONTO EM FOLHA
Bancos cortam ponto

O Banco do Brasil (BB) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) anunciaram ontem que os funcionários que estão em greve terão descontados da folha de pagamento os dias em que não trabalharem. Nenhum dos bancos sabe informar quantas pessoas serão atingidas. ''Não compareceu, a falta é colocada. É o procedimento normal'', diz Assis Arruda, diretor de negócios de gestão de pessoas do BNB.
De acordo com Arruda, a medida deve atingir poucos funcionários porque a greve só atinge 30% das agências. ''A greve não é total em nenhuma agência. Não temos público de varejo, como os outros bancos, e os títulos bancários que emitimos podem ser pagos em qualquer banco ou correspondentes bancários de outras instituições até o vencimento'', diz. O BNB não possui correspondente bancário.
Segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), não existe orientação do órgão para cortar pontos e a decisão dos descontos em folha deve ser tomada por cada instituição. O banco Itaú não quis se pronunciar sobre a greve ou se fará corte. O Bradesco não está comentando a greve. Com relação ao corte, a assessoria informa que ainda não há informações sobre o assunto. A Caixa Econômica Federal ainda não decidiu se haverá corte no ponto dos funcionários. (Márcio Teles)


O CIDADÃO
Lentidão

O músico Márcio Landi, 38, correntista do Banco do Estado do Ceará, apóia a paralisação dos bancários e critica a lentidão das negociações. ''Eu não estou acompanhando o que eles (bancários) estão pedindo, mas imagino que é sempre superior ao que o governo oferece'', diz. Para Landi, a categoria dos músicos não tem o mesmo tipo de mobilização que a dos bancários. ''Resultado: os salários de oito, dez anos atrás continuam os mesmos'', conclui. Ele avalia que a situação dos comerciantes é a pior, já que eles têm de descontar cheques e movimentar dinheiro, mas não conseguem. (Natália Paiva, Especial para O POVO)

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